terça-feira, setembro 25, 2007

Gestão e Sanidade na Ovinocultura

A ovinocultura paulista apresenta marcante crescimento, seja pelo aumento no efetivo dos rebanhos, seja pelo aumento no número de propriedades envolvidas nessa atividade e suas especializações, verificando-se ainda expressivo aumento na demanda de carne, pele, lã, matrizes e reprodutores.

O rápido retorno econômico, a possibilidade de integração com diferentes sistemas de produção animal e vegetal e o amplo mercado consumidor a ser conquistado, principalmente o de produtos cárneos, credenciam a ovinocultura como atividade economicamente viável, tanto para a agricultura familiar como para grandes empreendimentos agroindustriais integrados.

Para sua transição e consolidação como agronegócio, a ovinocultura necessita ser norteada para atender critérios e princípios específicos como o desempenho econômico, bem-estar animal, responsabilidade social, impacto ambiental, saúde pública e ética empresarial.

Para tanto, o gerenciamento da ovinocultura deve ser pautada no constante planejamento de todas as atividades pertinentes, através de criteriosa reflexão, onde as prioridades sejam atendidas de forma estratégica, embasadas na discussão das metodologias que permitam direcionar a atuação do profissional de gestão e conseqüente retorno financeiro esperado.

Para o efetivo controle, e em algumas situações, a erradicação de doenças, são necessárias tomadas de decisões estratégicas ao longo de todo o processo produtivo, e essas devem ser apoiadas em princípios epidemiológicos, éticos, financeiros e de bem-estar animal.

Na formação ou expansão do rebanho, o ovinocultor deve ter sempre em mente certos princípios, que bem atendidos e aliados a um competente acompanhamento profissional, permitirão a boa condução dos diversos manejos envolvidos, com boas respostas no controle de enfermidades, uma vez que o sucesso financeiro da atividade depende da produtividade alcançada.

A escolha da raça mais compatível com as condições ambientais e do sistema produtivo implantado, a aptidão zootécnica e os potenciais de adaptação ao meio e produção de carne são essenciais para uma boa produtividade.

Na aquisição dos animais, o ovinocultor deve conhecer o criatório de origem, suas condições gerais, o histórico e exames sanitários afins, as práticas de manejo adotadas e os índices zootécnicos alcançados pelo vendedor. A prévia seleção dos animais adquiridos, uma inspeção cuidadosa da condição corporal, dos aprumos, vulva, úberes, bolsa escrotal, narinas, caixa torácica e da condição dos dentes e sua compatibilidade com a idade são critérios imprescindíveis.

Não menos importantes são as condições de transporte até o novo criatório, pois quando bem planejado e executado minimizam o estresse dos animais, sendo esse fator desencadeante de enfermidades até então não detectadas no criatório de origem. Desta forma, os animais recém-chegados devem permanecer em quarentena, desverminados e receber reforço de vacinas, adaptados gradativamente ao novo ambiente, alimentos e tratadores, obrigatoriamente manejados por último.

As diversas práticas de manejo sanitário devem preconizar o relacionamento e sintonia com o ambiente e os manejos reprodutivos e zootécnicos. Dessa forma, a manutenção da saúde animal depende de certos fatores, como a implantação de programas preventivos, definição e dimensionamento do sistema de produção, mão-de-obra capacitada e estimulada e de questões administrativas e econômicas.

Diferentes medidas devem então ser colocadas em prática, de maneira rotineira, como a escrituração zootécnica individual, avaliação dos índices de produtividade, calendário sanitário anual estritamente relacionado com o calendário reprodutivo, educação sanitária das pessoas envolvidas na atividade, quarentena de animais introduzidos no criatório, o devido diagnóstico das doenças prevalentes no rebanho e descarte orientado por motivos zootécnicos e ou sanitários.

O monitoramento da sanidade do rebanho pode ser feito por meio de relatórios dos grupos de produção, como por exemplo: relação macho: fêmea, taxa de prenhez, porcentagem de nascimentos, quantidades e razões de mortalidade de animais jovens e adultos; mortalidade pré e pós-desmame; taxa de prevalência de doenças; tratamento e recuperação de animais doentes; taxa de descarte e razão do descarte; taxa de crescimento; escore corporal do rebanho. Atualmente, ovinocultores e profissionais da área de produção de ovinos contam com diferentes e eficientes softwares para gerenciamento e monitoramento das diversas etapas e ações técnicas exigidas pela moderna ovinocultura.

Devemos encarar essas necessidades técnicas e operacionais não somente como entraves para o setor ovinocultor, mas principalmente como desafios a serem suplantados através de políticas públicas direcionadas, alicerçadas pela pesquisa científica e assistência técnica especializada, atendendo assim os anseios e demandas do setor, visando à viabilidade econômica e sustentabilidade da ovinocultura como agronegócio de crescente e expressiva participação no cenário econômico nacional.

Carlos Frederico de Carvalho Rodrigues (médico veterinário)
João Elzeário Castello Branco Iapichini (zootecnista)
Pesquisador Científico da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga PRDTA SUDOESTE PAILISTA / APTA / SAA frediz@aptaregional.sp.gov.br / Iapichini@aptaregional.sp.gov.br
03/08/2007 - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios ( www.aptaregional.sp.gov.br )

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