segunda-feira, maio 21, 2007

OVINOS & CAPRINOS - SANIDADE




Apresentação
Entre as cadeias produtivas, vocacionadas para o município de Pintadas, no Semi-Árido Nordestino, a Ovinocaprinocultura tem ocorrência registrada, sendo uma atividade de grande importância para a geração de ocupação e renda de forma sustentável. A partir de trabalhos realizados no município, foi identificado que um problema existente é a falta de capacitação do agente produtivo. Informações sobre o manejo, alimentação, doenças que afetam os rebanhos, vacinações, raças, mercado, e novas técnicas de reprodução são fundamentais para o sucesso na atividade. Espera-se que esse trabalho venha contribuir de forma efetiva para a solução de diversos problemas vivenciados por muitos criadores de ovinos e caprinos no Município de Pintadas, contribuindo para o fortalecimento da renda e bem estar social dos criadores.

Delman Mota Melo
Técnico Agropecuário
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Manejo Sanitário

1. Prevenir Doenças É Garantir O Sucesso Do Rebanho

O conceito moderno de saúde é muito amplo, não se fundamentando apenas na inexistência de doenças. A saúde animal intrinsecamente e, em parte, se relaciona com a saúde das populações, implicando na condição de bem-estar geral dos animais ou rebanho, o que inclui, manejos, alimentação e água de qualidade e quantidade; instalações adequadas e confortáveis e condições de abate.

O aparecimento de doença, em caprinos e ovinos ou em qualquer outro animal, resulta do desequilíbrio da interação entre o agente etiológico, o hospedeiro susceptível e o ambiente. No que diz respeito ao hospedeiro susceptível, as características como: espécie, idade, sexo, raça, dentre outras, são importantes na gênese dos processos patológicos. Dentre os fatores ambientais que podem influenciar no aparecimento das enfermidades, destacam-se época do ano, alimentação e nutrição desbalanceada, higiene precária, instalações mal planejadas, manejos inadequados e presença de hospedeiros.

O potencial de disseminação das doenças sobre as populações animais e humanas (zoonoses) são fatores de elevada importância e preocupação das autoridades veterinárias e de saúde pública nacional. A introdução de novas cepas merece atenção especial, pois podem tornar-se mais virulentas que as nativas, além do que, muitos agentes apresentam o potencial de se modificar rapidamente, e subseqüentemente, se adaptar a novos ambientes.

A prevenção consiste na ação antecipada, visando impedir, minimizar ou anular a evolução de doenças, assim como evitar as despesas com o tratamento dos animais enfermos. Portanto, torna-se mais econômico trabalhar com prevenção, pois os tratamentos curativos implicam em gastos com medicamentos, honorários profissionais e, nem sempre garantem a sobrevivência e/ou manutenção da produtividade do animal acometido.

A profilaxia na medicina veterinária preventiva de caprinos e ovinos é realizada através de medidas de manejo sanitário integradas (geral e específico) dos rebanhos, vacinações e vermifugações no sentido de prevenir o aparecimento e disseminação de doenças no rebanho.

Essas medidas abordam, principalmente, cuidados na construção, funcionalidade e higiene das instalações, objetivando minimizar a incidência de doenças, promovendo assim, a saúde do rebanho. As medidas sanitárias específicas estão relacionadas aos cuidados que devem ser dispensados a cada categoria animal. Com a adoção dessas medidas espera-se diminuir os índices de morbidade e mortalidade, assim como, elevar as taxas de natalidade e prolificidade, aumentando a eficiência produtiva e reprodutiva do rebanho.

O calendário de vacinações deverá seguir a legislação vigente e a ocorrência de doenças na região. Os esquemas de vermifugação visam o controle das doenças parasitárias, através da utilização de drogas anti-helmínticas e medidas de manejo que auxiliam na redução da contaminação ambiental e, conseqüentemente, nas infecções dos animais.

A saúde de um plantel deve estar associada, também, à aquisição de animais de bom potencial genético, vindo de regiões sabidamente sem problemas críticos sanitários, boas instalações e alimentação adequada para todas as categorias, assistência técnica na propriedade, diagnóstico e tratamento precoce das enfermidades e, principalmente, utilização de medidas profiláticas. Portanto, as técnicas desenvolvidas pela pesquisa devem ser aplicadas na criação, objetivando melhoria na produção e comercialização dos animais e/ou seus produtos.

Fonte: Francisco Alves e Raymundo Pinheiro - EMBRAPA Caprinos

2. Higiene das Instalações

A higiene é um conjunto de medidas visando preservar a saúde dos animais, sendo constituído de limpeza e desinfecção.

A limpeza das instalações deverá ser realizada diariamente ou, pelo, menos a cada dois dias.A desinfecção deve ser feita a cada 30 dias no sistema intensivo, e a cada 60 dias no sistema semi-intensivo.

· Faça a limpeza do curral de chão batido;

· Limpe o curral usando rodo de madeira;

· Varra o curral com vassoura.


RETIRE AS FEZES DO CURRAL:

-A retirada de fezes pode ser feita com carro de mão, balde ou outro recipiente disponível.
- Coloque as fezes em esterqueira.Quando não houver esterqueira, as fezes devem depositadas em local cercado, para evitar contaminação dos animais.Faça a limpeza do piso ripado.
- Raspe com espátula as fezes.
- Limpe o piso ripado com vassoura.
- As fezes acumuladas abaixo do piso ripado devem ser retiradas periodicamente e levadas para a esterqueira ou para um local cercado.

A DESINFECÇÃO DAS INSTALAÇÕES:

A desinfecção consiste na aplicação de produtos químicos para diminuir as chances de ocorrência de doenças.Para desinfetar devem ser utilizados produtos à base de iodo, amônia quaternária, hipoclorito de sódio (água sanitária) ou cresol.

- Prepare a solução para desinfecção da instalação:

a) Prepare solução de iodo
- Coloque 20 litros de água em um balde.
- Meça 200 ml de tintura de iodo a 10%.
- Coloque 200 ml de tintura de iodo no balde.
- Misture a solução utilizando um agitador de madeira.

b) Prepare a solução de hipoclorito de sódio.
- Coloque20 litros de água em um balde.
- Meça 200 ml de hipoclorito de sódio a 10%.
- Coloque 200 ml de hipoclorito de sódio no balde.
- Misture a solução.

c) Prepare a solução de cresol.
- Coloque20 litros de água em um balde.
- Meça 20 ml de creolina
- Coloque 20 ml de creolina no balde
- Misture a solução.

d) Prepare solução de amônia quaternária
A recomendação do fabricante deve ser seguida.


DESINFETE AS INSTALAÇÕES PULVERIZANDO COM SOLUÇÃO:

A desinfecção das instalações deve ser feita com uma das soluções citadas anteriormente.
Precaução: Na pulverização da solução desinfetante o operador deve utilizar o Equipamento de Proteção Individual (EPI) ou, pelo menos, luvas, botas e máscara para prevenir intoxicações.

a) Reúna o material.
Pulverizador costal, balde com a solução, máscara, luvas, botas e pano.

b) Coloque a solução no pulverizador.
Precaução: Quando, ao colocar a solução ocorrem respingos ou vazamentos na parte externa do pulverizador, deve-se enxugá-lo com um pano para evitar contato da solução com a pele do operador, prevenindo-se intoxicações.

b) Pulverize as paredes, as cercas e o piso das instalações.

DESINFETE AS INSTALAÇÕES UTILIZANDO VASSOURA DE FOGO:

A vassoura de fogo é um equipamento também conhecido com lança-chamas, que, ligado a um botijão de gás, funciona como um maçarico.
A " vassoura " deve ser passada na instalação uma vez por semana no sistema intensivo, e a cada trinta dias no sistema semi-intensivo.
Precaução:
1 - nos materiais combustíveis (madeira, plástico, fios) o lança-chamas deve ser passado rapidamente para evitar queima.

2 - O registro do botijão deve ser fechado ao final de cada operação.

3. Principais Doenças

Os caprinos e ovinos são acometidos por várias doenças, entre as quais, a linfadenite caseosa (mal-do-caroço), o ectima contagioso (boqueira), a pododermatite (frieira), além das doenças causadas por ectoparasitas, como piolhos, miíases (bicheiras) e sarnas e, principalmente, aquelas causadas por endoparasitas (verminose).

3.1. Verminose

A verminose é uma doença parasitária causada por diversos vermes, que acometem caprinos de todas as idades, sendo mais grave nos animais jovens. Inicia-se com perda progressiva de peso, diminuição na produção (leite e carne), podendo levar a morte.

CONHEÇA OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA VERMINOSE

- Anemia (olho branco)
- Edema sub-mandibular (papo inchado)
- Pêlos ásperos, arrepiados e sem brilho
- Perda progressiva de peso (magreza)

CONHEÇA O CONTROLE DA VERMINOSE

Para controlar a verminose no rebanho caprino, utilizam-se vermífugos para promover a cura dos animais, e ao mesmo tempo, é feita a descontaminação do pasto, realizando-se as práticas de manejo adequadas.
A vermifugação dos animais deve ser feita utilizando produtos encontrados no mercado, seguindo as recomendações do fabricante ou a orientação do veterinário. Os vermífugos disponíveis no mercado são encontrados com os seguintes grupos e princípios ativos:
- Benzimidazóis (albendazole, oxfendazole, fenbendazole)
- Imidazotiazóis (tetramisol, levamisol)
- Salicilanilidas (closantel)
- Avermectinas (ivermectina, doramectina, moxidectin, abamectina)
Atenção:
1 – O produtor deve utilizar um vermífugo do mesmo grupo o ano todo. No ano seguinte, deve alternar com outro grupo, para evitar que o verme se torne resistente ao vermífugo.
2 – A dosagem do vermífugo deve seguir a recomendação do fabricante ou a orientação do veterinário.
Alerta ecológico:
O produtor deve obedecer os prazos de carência indicados pelo fabricante do vermífugo quanto ao consumo de leite e carne após a vermifugação.

UTILIZE O ESQUEMA DE VERMIFUGAÇÃO ESTRATÉGICA

Consiste em quatro aplicações de vermífugo durante o ano, sendo três no período seco e uma no período chuvoso.
- Vermifugar no início do período seco (Junho/Julho)
- Vermifugar no meio do período seco (Agosto/Setembro)
- Vermifugar no final; do período seco (Novembro/Dezembro)
- Vermifugar nos meados do período chuvoso (Março/Abril)

Atenção:
1 – Em locais de chuvas mais intensas distribuídas ao longo do ano, deve-se alterar o período de vermifugação para 60 em 60 dias.

2– Após a vermifugação, os animais devem permanecer no curral por 12 horas, sendo levados a novo pasto que não tenha sido utilizado nos 40 dias anteriores, para evitar a recontaminação dos animais.

VERMIFUGUE OS ANIMAIS

Atenção: Todos os animais do rebanho devem ser vermifugados no mesmo dia, para não contaminar a pastagem.
REÚNA O MATERIAL: Seringa, pistola dosadora, vermífugo.
SEPARE OS ANIMAIS POR IDADE (adultos / apartados / jovens)
ADMINISTRE POR VIA ORAL O VERMÍFUGOCOM PISTOLA DOSADORA OU SERINGA
ADMINISTRE POR VIA SUBCUTÂNEA O VERMÍFUGO INJETÁVEL

Alerta ecológico:

As embalagens vazias dos medicamentos devem ser enterradas em local adequado, evitando a poluição do meio ambiente.

CONHEÇA AS MEDIDAS AUXILIARES DE CONTROLE DAS VERMINOSES

- Limpeza e desinfecção das instalações;

- Manter as fezes em esterqueira distante dos animais;

- Evitar superlotação das pastagens e das instalações;

- Separar os animais nas pastagens por faixa etária;

- Os animais adquiridos de outros locais devem ser vermifugados antes da introdução no rebanho;

- Rotação de pastagens;


Os seus principais prejuízos são:

· Diminuição dos índices de parição.

· Diminuição do crescimento dos animais.

· Diminuição da produção de leite.

· Aumento do número de mortes no rebanho.


Os 10 Mandamentos da Vermifugação


1 - Evitar as áreas alagadiças e brejos, pois favorecem a verminose. Também chiqueiros e bebedouros sujos. Ou outros animais atacados por vermes. Manter cochos de água e de alimento acima do solo e para fora das baias.
2 - Alternar o pastoreio. De preferência, adote o pastejo rotacionado pois ele é um eficaz controlador das verminoses.
3 - Se possível, dividir as pastagens entre bovinos, equinos, ovinos e caprinos, aumentando o pisoteio, para liquidar os ovos ainda no chão.
4 - Vacinar todo animal recém-chegado, antes de incorporá-lo ao rebanho geral. Respeitar a quarentena (de 50 dias). Lembrar que o vermífugo só faz efeito se todo o rebanho for vermifugado.
5 - Os animais novos são mais susceptíveis e, então, precisam de cuidados dobrados. Os principais sintomas são: perda de apetite, diarréia, papada inchada, anemia, tristeza, mau aproveitamento dos alimentos, tosse, enfraquecimento geral, maior facilidade para contrair outras doenças.
6 - Alternar, sempre, o princípio ativo do medicamento. E não apenas mudar de produto. Leia a bula e veja se o princípio ativo é outro.
7 - Escolher produtos de amplo espectro (abrangendo vermes pulmonares e gastrointestinais).
8 - Aplicar a dose exata de acordo com o peso do animal, conforme a bula do produto. Evitar doses menores pois favorecem a resistência dos vermes. Evitar as doses excessivas que intoxicam o animal.
9 - Vermifugar o rebanho de 6 a 8 vezes por ano, para animais jovens. Ou, no mínimo, 4 vezes para animais adultos, a saber: 1a) no primeiro mês da época seca; 2a ) 60 dias após a primeira; 3a) no penúltimo mês da época seca; 4a) em meados da época chuvosa. No Nordeste, vermifugar no final de Junho, final de Agosto e Novembro (período seco) e em Março (período chuvoso).
10 - Vermifugar sempre no final da tarde. Depois de aplicar o remédio, manter os animais no capril ou chiqueiro por um período mínimo de 12 horas. Esta medida evita a reinfestação. O ideal é manter os animais fora do pasto durante 2 dias. Soltá-los, depois, em pasto que teve um descanso de, pelo menos, 50 dias.

Vantagens da Vermifugação

- Aumenta o número de crias;
- Facilita nascimento de crias fortes e saudáveis.;
- Favorece o crescimento dos animais;
- Aumenta a produção de carne;
- Aumenta a produção de leite;
- Aumenta a resistência contra outras doenças.;
- Evita mortes;
- Mantém o rebanho sempre sadio.


3.2. Linfadenite Caseosa Ou Mal-Do-Caroço

A linfadenite caseosa ou “mal do caroço” é uma doença infecto contagiosa causada por um micróbio, que invade o organismo do animal, formando abscessos contendo pus amarelo-esverdeado, podendo levar a morte nos casos de abscessos internos.

É importante evitar que os abscessos se rompam naturalmente. Portanto, quando o caroço estiver mole, ou maduro, o criador deve fazer o seguinte:

· Cortar os pelos e desinfectar a pele, no local do caroço, com solução de iodo a 10%.

· Abrir o abscesso para a retirada do pus.

· Aplicar a tintura de iodo a 10% dentro do caroço.

· Aplicar o repelente (mata-bicheiras) para evitar varejeiras.

· Queimar o pus retirado e limpar os instrumentos utilizados.

· Isolar os animais doentes.

Além do corte do caroço, deve-se examinar os animais no momento da compra, tendo o cuidado para não adquirir aqueles que apresentem tal problema. Quando anima do rebanho apresentarem caroço por duas ou três vezes seguidas, devem ser descartados.

A doença causa grandes prejuízos devido à queda da produtividade, à condenação de carcaças e desvalorização das peles.
A transmissão é feita através do contato direto com o abscesso de animais doentes, ou indiretamente através da ingestão de água e alimentos contaminados com o pus do abscesso.
1- Conheça os sintomas da Linfadenite:

Abscessos (caroços) localizados nas regiões onde se encontram os linfonodos mostrados na fotografia.
2- Conheça o controle da linfadenite:
- higienizar periodicamente as instalações;
- evitar aquisição de animais com abscessos;
- tratar qualquer tipo de ferimento para evitar contágio;
- fazer inspeção periódica do rebanho e retirar os animais com abscessos;
- isolar os animais que apresentam abscessos;
- tratar os animais que apresentam abscessos;
3- Trate o caroço:
O caroço deve ser tratado antes que se rompa espontaneamente, pois o pus do abscesso se constitui num foco de contaminação.
- Atenção:
O caroço deve ser aberto quando os pêlos na área do abscesso começarem a cair.
- Precaução:
Na abertura do caroço deve-se utilizar luvas para evitar contaminação com o pus.

4- Reúna o material:
Algodão, gaze, papel toalha, água, sabão, tesoura, solução de iodo a 10%, mata bicheira, pinça, bisturi ou um canivete afiado, aparelho de barbear, álcool, saco plástico luvas.
5- Lave a área do abscesso com água e sabão.
6- Raspe os pêlos da área do abscesso.
7- Passe álcool e iodo na área do abscesso.
8- Faça um corte em toda a área do abscesso.
- Atenção:
O corte deve ser feito com canivete ou bisturi no sentido de cima para baixo.
9- Pressione o abscesso para retirar todo pus:
- Atenção:
O pus deve ser recolhido em saco plástico ou papel.
10- Faça a limpeza interna do abscesso com pinça ou gaze:
- Atenção:
Esta limpeza é necessária para garantir a retirada total do pus.
- Coloque solução de iodo a 10% dentro do abscesso.
- Coloque o repelente de moscas.
- Isole o animal tratado até completa cicatrização da ferida.

Atenção:

1- A gaze utilizada e o pus retirado do abscesso devem ser queimados e enterrados para evitar contaminação do ambiente e dos animais.
2 – O canivete, bisturi ou gilete e a pinça devem ser lavados com água e sabão e desinfetados com álcool.

3.3. Miíases ou Bicheiras

As miíases ou bicheiras são causadas por larvas de moscas conhecidas como varejeiras. As bicheiras podem causar problemas sérios, como a destruição do úbere e dos testículos, além de causar otites e outras complicações, desvalorizando a pele do animal. A mais importante causadora de miíases é a mosca Cochliomyia hominivorax, de coloração verde-metálica (mosca varejeira). Os animais com bicheiras ficam sem apetite, inquietos e magros. Se não forem tratados podem morrer.

As bicheiras devem ser tratadas com substância larvicida, limpeza da ferida, retirada das larvas e aplicação de repelentes e cicatrizantes no local afetado, diariamente, até a cicatrização. Entretanto, estas podem também ser evitadas pelo tratamento do umbigo dos animais recém-nascidos com tintura de iodo a 10% e mediante o controle das moscas, através da limpeza nas instalações. Devem-se tratar todas as feridas que forem vistas nos animais, principalmente na época chuvosa.

A tintura de iodo a 10% pode ser obtida através dos seguintes ingredientes:

· Iodo em pó 10 g

· Iodeto de Potássio 6 g

· Álcool 95 ml

· Água destilada 5 ml

Caso o criador não disponha dos ingredientes necessários à confecção da tintura, pode adquirir o produto já pronto nas farmácias.

3.4. Pediculose (Piolhos)


Os piolhos são parasitas que se alimentam de sangue. Eles se fixam sobre a pele (linha do dorso) e nos pêlos dos caprinos.
A infestação de piolhos geralmente ocorre por falta de higiene das instalações.
CONHEÇA OS SINTOMAS

- Coceira
- Inquietação
- Fraqueza
- Pêlos arrepiados
- Anemia

FAÇA O CONTROLE DA PEDICULOSE

O controle deve ser feito através da higienização das instalações, principalmente das cercas.
Os piolhos são combatidos através de pulverização com produtos organofosforados ou piretróides, repetida após 7 dias, para abranger todas as formas de vida dos piolhos.
Precaução: No preparo e utilização da solução parta pulverização, o trabalhador deve utilizar os equipamentos de proteção individual (luvas, máscara, botas e macacão) para evitar intoxicações.
REÚNA O MATERIAL
Pulverizador, balde com água, produto inseticida.

PREPARE A SOLUÇÃO INSETICIDA CONFORME ORIENTAÇÃO DO FABRICANTE OU DO VETERINÁRIO

PULVERIZE OS ANIMAIS

a) Contenha o animal
b) Pulverize

Atenção:

1 – A pulverização deve ser feita em sentido contrário ao pêlo do animal (da cauda para a cabeça).
2 – O banho deve ser feito nas horas mais frescas do dia.
3 – As cabras gestantes e os cabritos com menos de 1 mês de idade não devem ser banhados.


3.5. Pododermatite ou Frieira

É uma doença contagiosa, causada por bactérias. Provoca uma inflamação na parte inferior do casco e entre as unhas. Ocorre com maior freqüência no período chuvoso, quando os animais são mantidos em áreas encharcadas.

O sinal mais evidente da doença é a manqueira. Os animais têm dificuldade para andar, permanecem quase sempre deitados, se alimentam mal e emagrecem, podendo vir a morrer.

Para o tratamento da frieira, são recomendados os seguintes procedimentos:

Separação dos animais doentes do restante do rebanho.

Realização da limpeza dos cascos afetados.

Tratamento das lesões com alguns desinfetantes

- Solução de tintura de iodo a 10%

- Solução de sulfato de cobre a 15%

- Solução de ácido pícrico (cascofen)

Nos casos graves, recomenda-se a aplicação de antibióticos. Entretanto, existem meios para prevenir a ocorrência de frieiras, tais como:

- Manutenção das criações em lugares secos e limpos.

- Aparação periódica dos cascos deformados.

Construção de pedilúvio na entrada dos chiqueiros, devendo abastecê-lo uma vez por semana, com desinfetantes específicos. O pedilúvio deve ser construído e localizado de modo a forçar os animais a pisarem nesses materiais quando de sua entrada nos chiqueiros. O volume da solução a ser utilizado com qualquer dos produtos deve ser suficiente para cobrir os cascos dos animais.

O pedilúvio consiste em um tanque feito de tijolos e argamassa de cimento, que deve ser construído na entrada do curral, aprisco ou chiqueiro. Tem a finalidade de fazer a desinfecção dos pés dos animais.

Dimensões do pedilúvio:

- largura: 1,0 metro

- profundidade: 0,10 m ou 10 cm

- Comprimento: correspondente à largura da porteira.

Os seguintes desinfetantes podem ser utilizados no pedilúvio:

Solução de formol comercial a 10%.

Sulfato de cobre a 10%.

Cal virgem diluída em água a 40% (alternativo de criação de caprinos).


3.6. Sarna


Sarna é um termo que se usa para indicar um grupo de doenças e ocorrem na pele e no ouvido. Essas doenças são causadas por várias espécies de ácaros, sendo transmitidas pelo contato do animal doente com o sadio.

Conheça os principais sintomas:
- Presença de caspa na parte interna da orelha
- Coceira
- Inquietação do animal
Controle a sarna por pulverização:
O controle da sarna dos caprinos deve ser realizada através de banhos ou de pulverização com produtos organofosforados e piretróides em todos os animais do rebanho.

Atenção:
Os banhos ou pulverizações devem ser repetidos com intervalo de 10 dias para controlar as diferentes formas de vida da sarna.

Precaução:
No preparo e utilização da solução para banho ou pulverização, o trabalhador deve utilizar os Equipamentos de Proteção Individual - EPI (luvas, máscara, botas e macacão) para evitar intoxicações.

Reúna o material:

· Pulverizador, máscara, luvas, botas, acaricida, balde, macacão, pinça, algodão e proveta.

Prepare a solução acaricida:

Atenção:
A solução acaricida deve ser preparada de acordo com instruções do fabricante do produto ou orientação do veterinário.
a) Meça a quantidade necessária do sarnicida
b) Coloque água no balde
c) Coloque o sarnicida no balde
d) Agite para total dissolução
Coloque a solução acaricida no pulverizador ou tanque de imersão
Pulverize o animal:
a) Contenha o animal
b) Pulverize
Controle a sarna com solução oleosa:
No caso da “sarna de ouvido” o tratamento deve ser feito através da limpeza das orelhas, com a retirada das crostas e utilização de acaricidas em solução oleosa, seguindo os seguintes procedimentos:
Reúna o material:
Pinça. Algodão, solução acaricida.
Coloque solução acaricida no algodão
Passe a solução acaricida na orelha do animal

Atenção:
A limpeza do ouvido e aplicação de acaricida devem ser repetidas com intervalo de 3 dias para controlar as diferentes formas de vida da sarna.


3.7. Mastite ou Mamite


A mamite é uma inflamação da glândula mamária causada por vários tipos de micróbios,e ocorre principalmente por falta de medidas de higiene na ordenha e pelo contato do úbere com o piso contaminado.

A mamite causa prejuízos econômicos devido à baixa na produção de leite, má qualidade do leite,custos com medicamentos para tratamentos e,às vezes,morte do animal.

1- Conheça os principais sintomas da mamite:

- queda na produção de leite
- inchaço do úbere
- aumento da temperatura do úbere
- endurecimento do úbere
- leite com grumos de pus
- dores na úbere

2- Conheça o controle da mamite
O controle da mamite deve ser feito utilizando medidas rigorosas de higiene na ordenha e nas instalações.

3- Trate a mamite
O tratamento da mamite deve ser feito com uso de antibióticos sob orientação do veterinário.
Atenção:
1- Animais doentes devem ser retirados do rebanho e levados ao isolamento para tratamento.
2- Na presença de animais com mastite na propriedade, o veterinário deve ser consultado para avaliar a situação do rebanho e orientar um plano de controle adequado.



3.8. CAE OU CAEV


O vírus da CAE (Artrite Encefalite Caprina) é um problema devastador, quando não controlado, no início da vida. Cabritos que bebem o leite infectado com o vírus da CAE já perderam a batalha e a guerra...! Os ruminantes jovens nascem sem anticorpos e precisam beber colostro adequado para adquirir esses anticorpos. Não há possibilidade de o organismo combater a infecção.

Com o crescimento, o animal vai desenvolvendo seus próprios anticorpos ao mesmo tempo que diminuem aqueles adquiridos no colostro. Esta fase vai até as 12-16 semanas quando o cabrito já produz seus anticorpos. Aos 6 meses, o sistema imunológico já é de um animal adulto.

Os exemplos da tragédia multiplicam-se: aos 3 meses o animal pode apresentar encefalite. Nas primíparas é comum notar os joelhos inchados e doloridos, com ou sem úbere edemaciado após o parto. Os sintomas podem surgir após 3, 4 ou 6 anos. Enquanto isso, as filhas vão disseminando o vírus para os herdeiros. E pior: os cabritos não mamam apenas na própria mãe e, assim, uma cabra infectada pode contaminar dezenas de animais jovens. É comum observar bodinhos de 1, 2 ou 3 anos, que se recusam a cobrir as cabras ou mesmo se tornam estéreis devido à má alimentação. A CAE não perdoa...

Com menos de 6 meses de idade ou mesmo em animais adultos com 8 ou 9 anos, as juntas podem amanhecer inchadas. Cabritos de 3 a 6 meses podem apresentar encefalite, arrastando as patas posteriores, andando em círculos e, finalmente, ficando paralisados, cada vez mais, dos membros posteriores para os anteriores - até morrer. Cabras prenhes podem apresentar cetoses que, devido às fortes dores nas juntas, não conseguem mais caminhar até os cochos e acabam morrendo por inanição. Cabras paridas morrem com úberes endurecidos, tanto jovens como adultas com 4 ou 5 anos de idade.

O úbere congestionado e volumoso muitas vezes apresenta apenas algumas gotas de leite, caracterizando uma mastite virótica. Os inchaços surgem, grandes ou pequenos, entre as orelhas, atrás da cabeça, na "bolsa" que une a cabeça e o pescoço. Esses inchaços não indicam, necessariamente, sinais de alguma briga, mas podem ser, com certeza, um sinal de que o vírus da CAE está presente. Também acontecem pneumonias agudas ou crônicas de origem virótica que não respondem a antibióticos, com forte pleurite e consolidação do pulmão. Mesmo depois de tratamento com antibióticos as crises reincidem, juntamente com juntas inchadas ou sinais de encefalite, levando o animal para um estado crônico.

Uma coisa é certa: os sinais da CAE manifestam-se quando o animal está estressado. De fato, o estresse enfraquece o sistema imunológico. Animais que se deslocam de uma fazenda para outra exibem juntas inchadas, além de outros sinais. O estresse ocorre, também, pela concentração de muitos animais em espaço muito pequeno, tanto sendo cabritos no período de desmame, cabras prenhes ou bodes em estação de monta. A disputa entre bodes também gera estresse.

Obviamente, uma cabra de alto potencial leiteiro jamais atingirá altas lactações, se ficar viva.

Como controlar a CAE? As tetas de todas as cabras devem ser tampadas 5 dias antes do parto, com fita adesiva, para evitar que o recém-nascido venha a mamar, caso não haja pessoal presente à parição. Ele não pode mamar! Também deve-se evitar que a cabra faça a "limpeza" do recém-nascido pois, ao lamber o nariz e a boca do cabrito, poderá transmitir o vírus. O cabrito deve ser secado e tirado de perto da mãe.

O cabritinho deve ser alimentado, inicialmente, com colostro pasteurizado de cabra ou colostro de vaca. O colostro de cabra pasteurizado, com o vírus morto da CAE, é de grande valor porque os anticorpos são preservados. Cabe observar, no entanto, que pasteurizar o colostro sem superaquecimento, e ainda mantendo-o fluído, é tarefa complicada. Algumas vezes o superaquecimento provoca a coagulação e os anticorpos tornam-se inúteis.

Com pasteurizar o colostro? Praticamente utiliza-se o método da garrafa térmica. Afinal, 170 a 227 gramas de colostro é uma proteção adequada ao recém-nascido. Depois desse colostro, o cabrito já poderá tomar o leite normal. A garrafa térmica ideal é a de aço inoxidável que deve ser testada enchendo-a com água aquecida a 57ºC, permanecendo fechada por uma hora. Se a temperatura diminuir, depois de uma hora, então a garrafa não é muito boa para essa tarefa! O procedimento de pasteurização do colostro é o seguinte: 1) encher a garrafa com água a 57ºC. Aquecer o colostro a 57ºC em banho-maria. Retirar a água da garrafa, trocando-a pelo colostro a 57ºC. Mantenha o colostro na garrafa por uma hora. Resfriar o colostro (para uso imediato) ou congelá-lo para uso futuro. Jamais descongelar o colostro em forno de microondas ou em água a temperatura acima de 43ºC pois ambos os processos destruirão os anticorpos e a operação estará perdida.

Depois da primeira alimentação com colostro, o cabrito poderá receber leite de cabra pasteurizado ou leite de vaca, ou substituto do leite, ou combinação entre eles. O leite deve ser pasteurizado a 72ºC, por 15 segundos e, em seguida, resfriado até chegar à temperatura de uso.

Os cabritos devem ser criados separadamente dos adultos até os 6 meses, pelo mínimo. O ideal é só misturar os jovens com adultos quando tiverem o mesmo tamanho. Quando mais tempo demorar para misturar as cabras sadias com aquelas contaminadas, maior será a imunidade natural e melhor a avaliação da herança imunológica dos animais.

Na ordenha são importantes os cuidados sanitários a fim de eliminar a transferência de vírus de úbere para úbere. As cabras de qualquer idade não devem ser alimentadas com leite cru.

Um bom sintoma de que a CAE está sendo erradicada no rebanho é o aumento de leite na primeira parição. Também verificar que os úberes não estão mais congestionados.
Lembre-se, no entanto, que a CAE é traiçoeira, ela pode estar incubada e aparecer somente depois de muitos anos. Assim, todo cuidado é pouco! Uma boa avaliação da erradicação deveria ser feita a cada 10 anos. O ideal é que a cada 3, 4 ou 5 anos, os animais portadores de vírus e aqueles com possíveis problemas de imunidade, devem ser apartados do rebanho. Não existe meio-termo nem perdão: ou o animal é portador, ou não é. Com a CAE não se brinca!



Os 10 Mandamentos da Higiene do Aprisco


1. Diariamente, antes da ordenha, lavar as mãos e braços, com água e sabão. Verificar se todos os ordenhadores estão com unhas aparadas e limpas.

2. Remover, todos os dias, os excrementos dos boxes. Limpar os cochos. Mudar a água. Varrer os corredores.

3. Uma vez por semana, escovar a pele das cabras, favorecendo a circulação sanguínea, deixando-a lisa e brilhante, removendo detritos, larvas e parasitas.

4. Toda semana, limpar as fezes por baixo do ripado.

5. A cada 15 dias, praticar faxina geral. Fazer limpeza, varrer tudo, lavar com sabão, desinfetar todos os pisos.

6. Mensalmente, fazer pulverização dos boxes, com Biocid ou similar.

7. Fazer exames bimensais de fezes em 10% do rebanho. Só aplicar o vermífugo após escolhê-lo pelo exame de fezes. Sai mais barato que ficar mudando aleatoriamente de marcas.

8. Periodicamente, combater carrapatos, piolhos e bernes.

9. Procurar, sempre, sinais de: tristeza, imobilidade e apatia, olhos embaçados, sinais de pus, sangue ou diarréia, tremores ou calafrios, tosse, catarro nas narinas, ofegação, respiração e pulsação acelerada, focinho quente, feridas ou calombos pelo corpo, inapetência e perda de peso, irritação e inquietação. Encontrando alguns destes sinais, procurar o veterinário.

10. Havendo presença de ratos no capril, vacinar todo o rebanho contra a Leptospirose.


DELMAN MOTA MELO
TÉCNICO AGROPECUÁRIO
delmanmelo@gmail.com
PINTADAS-BA

4 comentários:

Airton de Moura disse...

Parabéns!

Achei muito útil e interessante as suas informações. Com certeza seguirei as suas dicas.

Um abraço e muito obrigado.

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